Pois bem, vamos ao meu dia.
As coisas nåo começaram muito bem hoje. Abri os olhos, estiquei o corpo, levantei da cama e o telefone nåo tocou. Eu sabia que nåo ia tocar mas mesmo assim olhava para ele, com aquela cara de cão sem dono, de 5 em 5 minutos. Fui tomar banho e levei o telefone comigo. Ele também me fez companhia no café da manhã e no caminho para o trabalho. O meu medo de nåo ouvir ele tocando era tão grande que resolvi nåo tirar ele do bolso. Ele nåo tocou, ele também nåo vibrou. Precisamente ao meio dia, quando todo mundo já se preparava para ir almoçar, resolvi conferir a tela certo de que "Leandro", "Vivo", "12h00", o desenho de uma bateria colorida até a metade e um monte de pininhos enfileirados seriam as únicas coisas que eu veria ali. Olhei para o teto e pensei: "Odeio quando estou certo.". Nesse momento meus olhos começaram a arder, as lágrimas começaram a surgir e, antes que a primeira descesse pelo meu rosto, corri para o banheiro. No banheiro, chorei de tristeza.
Fui almoçar com o meu telefone. Voltei rápido porquê nåo queria ficar muito tempo longe do computador. Tentei me concentrar no trabalho mas nåo consegui, tentei desconcentrar os que estavam do meu lado e até que, por algum tempo, deu certo. Só por algum tempo. Aos poucos eles foram virando cada um para a sua tela. Uns respondiam e-mails, outros falavam ao telefone e os demais ouviam música.
O meu telefone continuou em silêncio e, no meu e-mail, nåo tinha nada. Senti um aperto no coração, uma dor que me fez chorar ali mesmo. Ninguém viu.
Passei algumas horas ouvindo músicas que ela nåo gosta e lembrando dela assim mesmo. Eu sentia que ela ia ligar a qualquer momento, era tudo uma questão de saber esperar. Esperei e, finalmente, senti o telefone tocar no meu bolso.
"Alô". Foi o que eu disse depois de desfazer o nó na garganta.
"Oi, Leleu!". Foi o que eu ouvi de uma voz meio rouca, meio chorosa.
Era minha sogra querida. Ligou para dizer que esse blog é a coisa mais linda. Ligou para me agradecer pelo que tenho feito pela filha dela. Ligou para dizer que quer que eu continue indo à sua casa. Ligou para dizer que sou parte da família. Enfim, ligou para chorar e me fazer chorar de emoção.
Como essa ligação foi importante. Como transformou o meu dia. Como vai ficar para sempre na minha lembrança. E é por isso e por tudo o que ela faz por mim que eu digo e vou dizer sempre: "Obrigado à você.".
Pronto. Ganhei o dia. Ganhei fôlego. Ganhei força para esperar minha estrela ligar e me dizer que está tudo bem. E ela ligou.
O número confidencial finalmente apareceu.
"Alô". Foi o que eu disse depois de desfazer o nó na garganta.
"Embratel. Ligação a cobrar, o senhor aceita?"
"Que pergunta! É claro que eu aceito.". Foi o que eu pensei em dizer mas nåo disse.
"Aceito".
"Oi amor!". Foi o que eu ouvi antes de chorar de muita, mas muita alegria.
Minha estrela está longe agora. Mas o brilho dela, dá para ver daqui.
Eu te amo demais.
Boa noite e até amanhã.

Um comentário:
Leandro, saber que minha "Lalá" é tão amada e valorizada por uma pessoa tão especial como você,é para mim, motivo de muito orgulho.
Um beijo, Fátima
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