domingo, 14 de dezembro de 2008

Arquivo Confidencial.

Dia de chuva ou de "chuvinha" como costumava dizer o meu amor.

Dia de acordar cedo achando que eu ia jogar bola e nåo ir. Dia de achar que eu poderia nadar e nåo poder. Dia de pensar na vida.

Hoje eu passei quase todo o dia sozinho. É interessante passar o dia inteiro sozinho sabia? É engraçado perceber agora, que o dia está caminhando para o seu final, que eu nåo conversei. Que eu nåo falei uma única palavra enquanto via a manhã virar tarde, a tarde virar noite. É mais engraçado ainda, perceber que, mesmo sem palavras, eu passei o dia inteiro ouvindo o que eu mesmo dizia. E tudo o que eu dizia, eram as lembranças que ela deixou aqui comigo antes de ir.

Peguei o álbum que ela me deu no dia da viagem. Li o que estava escrito na capa. Abri e parei na primeira imagem. Me vi vestindo terno e gravata, coisa que não é nem um pouco comum, ao lado dela que estava linda, o que é a mais comum de todas as coisas. A gente estava no melhor sofá do mundo e foi justamente lá que o meu pensamento foi se sentar. Quantos momentos lindos a gente já passou ali. Quantas vezes a gente riu, quantas chorou. Quantas histórias só nós três podemos contar: ela, eu e ele, o sofá. Quanta vontade de voltar para aquele sofá, ele faz dos dias de chuva, os melhores de se viver.

Passei a página e a gente já estava em pé, abraçados na frente de uma árvore que tem lá na sala de televisão. Lembro de quando olhei encantado para ela pela primeira vez e disse: "Amor, você tem uma árvore em casa.". Ela riu de mim, e eu me senti feliz.

A pose da foto que vinha a seguir era a mesma, o cenário mudou, as lembranças continuaram. Dessa vez a gente estava na frente da janela da sala. Aquela por onde, às vezes, entrava uma bruxa meio perdida. Ela ficava com medo como se aquela borboleta feia fosse engolir a gente. Eu também ficava com medo, mas tinha que disfarçar e ir lá espantar o  monstro. Um dia recebemos a visita de uma lagartixa e a coisa ficou pior. Durante uma meia hora batalhamos contra aquele animal terrível até que conseguimos fazer com que ele voltasse por onde tinha vindo. A janela da sala.

Agora estamos sentados na mesa da sala de jantar. As lembranças aqui nåo poderiam ser outras né? Os deliciosos lanchinhos que ela fazia para a gente nas sextas-feiras de preguicite acompanhados dos doces mais bárbaros que eu conheço. Lembrei também de como me apavorava a idéia de derramar o copo de refrigerante ou sujar a toalha de molho de cachorro quente. O refrigerante eu nåo derramei ainda. Já o molho, nåo sei se posso dizer o mesmo.

No final, vem um monte de fotos que tiramos pela câmera do meu computador. Todas elas me fazem lembrar de duas coisas lindas. O dia em que, finalmente, ela deixou que eu conhecesse o quarto dela. E todos os planos que a gente fez ali, com a ajuda de uma planilha de Excel. Eles ainda são planos, e a minha vida tem sido esperar que eles se transformem em realidade.

O álbum chegou ao fim e a hora de voltar para casa também. No caminho, vim olhando a paisagem e pedindo a Deus que nos permita fazer aquele trajeto por muitas e muitas vezes ainda. No caminho, vi uma placa da Claro e, é claro que eu me lembrei dela. Como ela trabalhava viu? Como ela suava a camisa. Como me orgulho de ter uma namorada tão competente e como tenho a certeza que ela ainda vai brilhar muito. Como a Claro deu trabalho né? Mas pelo menos agora, ela retribui me fornecendo acesso a internet para poder ver o rostinho lindo que ela tem.

Agora estou aqui esperando um sinal dela e assistindo ao Arquivo Confidencial do Faustão. Lembro de quando eu era pequeno e vivia imaginando: "Se eu fosse famoso, quem ia participar do quadro falando de mim? O que iriam dizer? Se eu conhecesse uma grande estrela, o que eu falaria sobre ela?".

Meu amor. Hoje eu estou aqui no Faustão para te fazer uma pequena homenagem. Tá vendo esse lugar aqui, atrás de mim? É o segundo andar, lugar sagrado onde tudo começou. Foi aqui que, completamente sem jeito, eu disse que estava completamente apaixonado por você. Foi aqui que, por várias e várias vezes a gente se encontrou por vários e vários motivos. Foi daqui que eu saí correndo como um louco atrás de você, lembra? Sorte minha te alançar lá no Pizzarella e poder te pedir desculpas. Foi aqui meu amor, que eu ganhei o apelido de Amanditas. Foi aqui que eu vi você se despedir me deixando um gatinho preto da sorte. Foi aqui que, 25 anos depois de ter nascido, eu entendi porque vim parar nesse mundo.

Era isso o que eu ia falar para o Faustão. E, na verdade, só falta a produção dele entrar em contato, porquê a maior de todas as estrela, eu já conheço.

A cada dia te amo mais. A cada dia te quero aqui. A cada dia preciso mais de você. Seja mais e mais feliz a cada dia Minha Vida. Porque assim, eu vou ser feliz também.

Eu te amo de verdade.

Boa noite e até amanhã.

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