segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pela brecha na porta da sala de embarque.

Acabei de chegar do aeroporto.
Foi difícil, muito mais do que eu imaginei que seria. Senti uma dor que nunca havia sentido antes, aquela que começa como dor psicológica e termina como dor física mesmo. Meu corpo está doendo. A cabeça dói, a coluna dói, as pernas doem e o peito dói mais ainda. Parece que apanhei de uns dez caras, daqueles bem mal encarados.

Senti um monte de outras coisas também. Um monte de sentimentos juntos que me fizeram nåo entender direito nenhum deles. Inveja das pessoas que estavam indo viajar junto dela? Sim, muita inveja. Vontade de segurar a mão dela ali e nåo deixar que ela fosse embora? Sim, muita vontade. Desespero por saber que nåo teria coragem para fazer isso e, mesmo que tivesse, nåo iria adiantar? Sim, o desespero. Tristeza? Sim. Angústia? Sim. Medo? Sim. Felicidade? Sim.

Mas peraí! "Felicidade sim"? Como assim "Felicidade Sim"? Enlouqueceu de vez, companheiro?

Nåo, eu nåo enlouqueci ainda. Ainda estou aqui, acordado e lúcido. Ainda estou aqui me lembrando dos olhos dela procurando os meus para dizer que eu sou o grande amor da sua vida. Ainda estou lembrando da verdade que vi naquele olhar, que eu senti em cada gesto dela, hoje e sempre. Ainda sinto o gosto daquele beijo, com o sal das lágrimas e com um monte de ingredientes secretos e viciantes. Ainda sinto o coração dela bater acelerado em um abraço que demorou tempo suficiente para se tornar eterno. Ainda sinto um abraço tão importante quanto esse, o da irmã dela, amiga, carinhosa, compreensiva, IRMÃ. Ainda sinto uma mão me pegando pelo braço, dois olhos preocupados e cuidadosos me olhando e uma voz, cheia de emoção, dizendo: " E com você, tá tudo bem?". Voz da mãe dela, minha sogra, que me chamou de filhinho e me fez chorar de alegria embora nåo saiba disso. Ainda ouço uma outra voz, serena e tranquila, mas nåo menos emocionada: "Calma, daqui a pouco está todo mundo aí de novo!". Voz do pai dela, meu sogro, que tem todo o meu respeito e a minha admiração. Espero conquistar o respeito e a admiração dele também. Ainda estou aqui, vendo o rostinho dela olhar para mim, com uma expressão linda de saudade, vontade, lealdade, fidelidade, amizade, cumplicidade, toda vez que a porta da sala de embarque se abria por alguns segundos.

E qual é o nome disso, companheiro? Se isso nåo se chama felicidade.

Vai com Deus meu amor. E toma conta do meu sorriso.

Boa noite e até amanhã.




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