Durante a madrugada a gente se falou de novo. Foram mais ou menos 40 minutos de conversa. Foi difícil porquê eu estava meio triste e queria nåo deixar que ela percebesse. Lógico que ela percebeu. Lógico que ela também ficou triste. Lógico que eu fiquei mais triste ainda com isso. Fui dormir.
De manhã eu só pensava em uma coisa: "Bem que ela podia aparecer bem rápido. Eu tenho que mostrar para ela que a tristeza de ontem dormiu comigo e nåo acordou para me acompanhar. Tenho que sorrir para ela. Tenho que ver ela sorrir porquê é o sorriso dela que ilumina a minha vida. ". A manhã passou entre esse pensamento e alguns spot`s de rádio que eu já tinha que ter feito e fiz. Hora do almoço.
Fomos à um lugar que ela adora e eu escolhi uma salada que ela adora. Será que eu estava pensando nela? Acho que nåo preciso nem responder. Seria mais um almoço se nåo tivesse ocorrido, antes mesmo da gente se sentar à mesa, uma das cenas mais deprimentes que eu já presenciei.
Um casal de namorados vinha pelo corredor, passando rente às mesas da praça de alimentação. Eu nåo sei se o senhor que estava sentado em uma delas era um desses mais atirados, espécie que, cá para nós, está ficando cada vez mais comum. Ou se o namorado era um desses rebeldes sem causa que ficam nervosinhos por qualquer coisa, ainda mais quando o "inimigo" já passou dos 60. Eu só sei que teve briga. Palavrões, socos, chutes e até uma ameaça de cadeirada. Enquanto os seguranças separavam as duas celebridades, eu, de olhos arregalados e boca aberta pensava: "Puxa! Quase derrubaram a árvore de Natal.".
Ela continua em pé mas o espírito natalino foi parar no chão, lá embaixo daquela bagunça de cadeiras.
Voltamos para o trabalho. Eu nåo pensava na briga porquê tenho coisas melhores para ocupar meu pensamento. Eu pensava nela. Em todas as vezes que a gente foi comer aquela salada deliciosa e eu acabei, na última hora, pedindo um hamburguer bem ao estilo americano. Agora ela está na América, e eu aqui, com a cabeça lá.
A tarde se arrastou um pouco porque os spot`s ficaram prontos e ela demorou um pouquinho a aparecer.
"Oi amor, desculpa a demora.". Foi o que a janela do MSN dela me disse assim que se abriu trazendo uma fotinha linda de nós dois.
"Oi Branquinha Linda.". Foi o que eu respondi pensando: "Nåo peça desculpas meu amor. Esses momentos sempre valem infinitamente mais que o tempo que eu esperei por eles.".
A gente conversou, a gente sorriu, a gente fez planos, a gente se beijou, se abraçou. A gente namorou muito e foi muito bom. Desde que ela foi embora, eu nåo me lembro de ter me sentido assim, tão próximo. Desde que ela foi embora, eu nåo me sentia assim, vivo.
7 e meia. Hora de fazer o que faço sempre. Arrumar minhas coisas, desejar uma boa noite aos que ficam e pegar o meu caminho, cheio de lembranças, para casa. Mas hoje foi diferente. Hoje eu nåo precisei das lembranças embora goste muito de todas elas. Hoje, ela veio para casa comigo.
Coloquei meu computador ligado no banco do passageiro e a gente veio conversando. Como foi linda essa volta para casa. Como eu nem senti ela passar. Como nem vi se o trânsito estava bom ou ruim, se estava calor ou frio, se tinha muita ou pouca gente nas ruas. Como me fez bem, me fez sorrir a toa. Como me fez ter uma certeza ainda maior de que ela é o grande amor da minha vida. Que é voltar para casa ao seu lado, o que eu quero pelo resto dos meus dias. Como a companhia dela é boa, como me completa, como me faz melhor. Como eu gostaria de conhecer o homem que inventou essa internet portátil só para poder agradecer. Esse sim deve ser um homem inteligente. Ao contrário de uns e outros que andam por aí, pelas praças de alimentação.
Obrigado por, todos os dias, mudar a minha vida para muito melhor. Obrigado pela cartinha linda, a mais linda carta que eu já li. A carta que eu vou ler todos os dias antes do dia começar. Obrigado pela certeza do seu amor. Ela me faz viver enquanto espero Minha Vida voltar.
Te amo mais que tudo Meu Grande Amor.
Boa noite e até amanhã.

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