Não falei que é só pensar na felicidade que ela aparece? Nåo disse que é só acreditar que tudo vai dar certo que as melhores coisas acontecem? Tenho feito de tudo minha gente. Tenho lutado com todas as minhas forças para encarar esse desafio da melhor maneira possível. Tenho tentado ser forte. Tenho tentado ser adulto, ser maduro o suficiente. Tenho tentado ser apoio, ser um porto seguro. Tenho tentado ser grande. Mas, será que eu tenho conseguido? Será que tenho feito a Branquinha sorrir como sempre foi a minha intenção? Como será que tem sido os dias dela pensando em todas as pessoas que estão aqui e que a amam mais que tudo? Bem, acho que isso eu nunca vou poder responder, não é? Eu nåo posso, mas ela pode. Leandro Neves, com lágrima nos olhos, um sorriso enorme no rosto, e a maior felicidade do mundo no coração, tem o prazer de apresentar o primeiro texto internacional escrito para esse Blog. Escrito, por nada mais nada menos que a razão de existir do "Histórias da Viagem que Eu Não Fiz.".
Com vocês Minha Estrela, Minha Flor, Minha Luz, Minha Vida, o Grande AMOR da minha Vida.
“Me pegaram de surpresa. Pediram para eu escrever com tema e tudo, como a uns 4 anos atrás, na minha última prova de redação da escola.
Hoje é meu dia de escrever aqui e não faço idéia do que vem pela frente e muito menos de quem vai ler. A gente descobriu o tal do Google Analytics, que nos dá idéia de quantas pessoas são e de onde elas vêm, mas sempre fica aquela incógnita né...
O tema dessa redação: “fique livre para falar sobre o que você quiser”. Acho que quando é assim fica mais difícil de escrever, ainda mais para quem está fora de forma com as palavras.
Quem sabe dizer sobre o que tem me acontecido aqui e como está sendo essa viagem que EU fiz?
Primeiro, o lugar: uma cidade de 800 habitantes no estado mais pobre dos Estados Unidos: Montana. Mas como assim pobre? Aqui tem mais montanhas do que habitantes, muitas reservas florestais como o Yellowstone (parque do Catatau) e um pessoal ainda mais estúpido do que a maioria dos norte-americanos. Mas calma, tem uma coisa boa: aqui não tem taxas. Dá para comprar a vontade sem ficar com medo dos 12% que vem depois na hora da conta.
Ennis, a minha roça, tem uma rua principal, que eles chamam de down town, e é onde eu moro. Nessa rua cortam outras três: a Primeira, a Segunda e a Terceira. Aí acabou a cidade e vem de novo a estrada. O meu trabalho é no único supermercado da região e fica na rodovia de acesso do estado. Daqui de casa pra lá são uns 10 minutos a pé e se o frio estiver a -20 ºC esse tempinho se transforma em intermináveis horas.
Segundo, o frio: a temperatura mínima que peguei aqui foram -30 ºF, que em Celsius são -34,5 º. A gente acaba se acostumando. De casa pro carro e do carro pro trabalho. São poucos minutos no ar que congela. Dentro dos estabelecimentos (que aqui não são muitos) tudo é extremante quente, ao contrário do que está lá fora dá até para suar. Outro dia resolvi sair de cabelo molhado. Resultado: cabelo congelado.
Terceiro, o trabalho: ahhh se eu soubesse o que viria pela frente teria ficado onde estava. São oito horas de trabalho com uma hora de almoço. Chego lá às 10h e saio as 19h. Trabalho com uma mexicana, uma canadense, uma moldava e uma brasileira que veio comigo. A minha chefe é uma velha americana aborrecida que se parece com a diretora da escola que eu estudei (a D. Teresa para quem foi do Sto Tomás). Outro dia estávamos conversando sobre a América: ela só sabe reclamar da crise e não acredita nas promessas do Obama. Ela disse que o novo presidente vai morrer em até 6 meses e que não votou nele porque ele fala demais. Acho que é por isso que Montana é tão atrasado, quase todo mundo daqui pensa assim.
E por último, o meu namorado: todos os dias quando chego do trabalho, cansada e com muita saudade, ele está lá comigo, me apoiando e me ajudando com os textos lindos que escreve aqui e com as nossas longas conversas da madrugada. Esse blog tem sido como uma terapia, me ajuda bastante ler palavras tão simples mas ao mesmo tempo tão mágicas. Transforma o meu dia e a viagem passa mais depressa.
Esse sentimento aqui dentro, que quando saí daí pensava que era enorme, aumenta cada vez mais. Cada dia que deixo para trás é mais um de cumplicidade, respeito e muito carinho no nosso namoro. Acho que quem lê seus textos percebe o que eu estou dizendo e não preciso falar mais nada, não é?
Termino o desafio por aqui. Nada a altura do que ele faz, porque ele não tem comparação, mas gostei da experiência.
Só mais uma coisinha meu amor: muito obrigada por tudo, você é perfeito.
Um beijão pra todo mundo que ficou aí. A saudade ta enooorrrmmmeeeee e daqui a pouco to de volta!
Eu te amo Gordo.
Boa noite e até amanhã.
Laura”
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
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