Hoje fui eu que pedi para escrever. Quando o dia terminou senti uma vontade enorme de contar para todo mundo o quanto eu estava feliz e o porquê disso tudo. No primeiro momento compartilhei minha alegria com o meu Melhor Amigo, mas depois quis dizer isso tudo a vocês e pedi permissão a ele para escrever.
Há exatas três semanas eu sentia que tudo estava dando errado na minha viagem: sem documento oficial, sem dinheiro, a cidade continuava pequena e sem nada para fazer, frio de -30ºC, pessoas estranhas e a saudade de casa cada vez maior. Para completar os dilemas, as minhas costas estavam doendo muito e comecei a tomar remédio para ver se pelo menos isso salvava.
Uma semana se passou e o tal comprimido vermelho não fez nenhum efeito. Fui ao médico e ele me deu um atestado que me fez perder o emprego (e o dinheiro) por três semanas. Pronto. Foi dada a largada para o pesadelo.
As coisas já não andavam muito boas e ficar em casa por 21 dias não é para os mais sensíveis como eu. Começou a minha angustia e a minha aflição. A primeira solução que eu encontrei: ir embora. Como tudo por aqui é burocrático, tive que esperar por uma semana para obter resposta da minha agência e decidir o que iria fazer. Nesse ponto já estava desapontada, com as costas ainda doendo e a pele toda pipocada por causa de uma alergia a alguma dessas comidas estranhas (talvez o pepperoni da pizza de três dólares) ou, quem sabe, alergia do meu estado emocional.
Veio uma grande tristeza e decepção por tudo isso que estava acontecendo. Passei muitos dias sozinha dentro dessa casa, pensando em tudo isso e em como as coisas estavam andando, como erradas elas estavam. Disse para minha mãe que “estava perdendo a fé, porque NADA estava dando certo comigo.”
Durante os eternos dias dentro do apartamento conversei e ouvi conselhos de muitas pessoas. Todas elas sempre me diziam o mesmo, mas com uma pequena diferença no tom de voz: “Vai ficar tudo bem, se Deus quiser.” E eu comecei a me perguntar: “Deus? Qual Deus que não me ajuda numa hora dessas?”.
Depois de tudo de ruim que poderia acontecer chegaram as noites de insônia. Não desejo isso a ninguém: ficar horas no escuro, olhando para a bi-cama que fica em cima, com um milhão de coisas na cabeça e sem nenhum jeito de resolver, realmente não dá. Resultado: ainda mais angustia.
Eu precisava então tentar dar a volta por cima e ir embora de vez, deixar para trás o sofrimento. Resolvi também que iria tentar chamar por Ele mais uma vez, quem sabe não daria certo?
Conversei com minha empregadora e avisei que meu tempo havia acabado. Tudo bem, foi um pouco dramático, mas deu tudo certo e ela foi bacana.
Depois fui olhar um jeito de sair daqui. Pedi para minha agência aí de BH mudar as passagens, mas o sistema ficou fora do ar por TRÊS dias. É... Acho que Ele realmente não estava comigo. Maaaasssss, continuei tentando... Rezei muito para que conseguisse realizar tudo a tempo, rezei com vontade, com força e desejo de tÊ-lo ao meu lado. Rezei ACREDITANDO. Pedi com muita FÉ.
Foram os três dias de maior ansiedade dessas três semanas.
Hoje de manhã é que a mudança chegou: comprei a passagem para sair de Montana; confirmei minhas outras duas passagens de volta; troquei meu endereço no correio; recebi o meu sofrido dinheirinho e, no final do dia, chegou um e-mail surpresa (era o governo americano me dando notícias do meu documento oficial).
Como assim TUDO o que eu precisava se resolve no MESMO dia? Simples. É a vontade de ter o maior poder que existe ao meu lado. Há quem diga que foi coincidência. Mas não posso dizer isso depois de sentir pela primeira vez em quase dois meses que o meu coração está finalmente em PAZ. Com lágrimas nos olhos não é preciso muita explicação: foi um milagre. Muito obrigada Senhor.
Muito obrigada também ao meu Melhor Amigo, por toda a sua paciência e companheirismo comigo.
Eu te amo para sempre e infinitamente.
Boa noite e até amanhã.
Laura
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
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